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Cidade, freguesia da sede do
concelho com o mesmo nome, distrito e diocese de Viseu, orago da freguesia
da sede do concelho S. Julião. Dista cerca de 17 Km de Viseu e está situada
na margem esquerda do Dão. Tem romaria à Nossa Senhora do Castelo a 7 e 8 de
Setembro.
É devido à sua situação geográfica, situada num planalto fronteiro à Serra
da Estrela, que as terras, hoje de Mangualde, foram ocupadas sucessivamente
por várias civilizações desde a pré-história.
Os inúmeros objectos descobertos, quer de pedra lascada, quer de pedra
polida, nas orcas ou dolmens dispersos nesta região são a inequívoca prova
dessa presença.
Também o período Luso-Romano é bastante visível, nomeadamente os vestígios
de uma povoação pré-romana nas faldas do Monte da Senhora do Castelo, assim
como a “Citânia da Raposeira”e vestígios de troços de Via Romana, do tempo
de Tibério, existentes no mesmo lugar, provam a sua presença.
É povoação muito antiga, que já
existia no Séc. XII e era no princípio da Monarquia terra importante. Em
1102 o Conde D. Henrique deu-lhe foral, que foi confirmado por D. Afonso III
em Santarém, a 01-02-1218. D. Manuel deu-lhe foral novo, em Lisboa, a
20-03-1514.
Tinha então o nome de Azurara ou
Azurara da Beira, que abrangia todo o Concelho e que se manteve até ao Séc.
XVIII. Nos princípios do reino possuía um castelo que a guerra tinha posto
em ruínas. Ainda hoje perdura a tradição de que o castelo teria sido tomado
a um chefe mouro de nome Zurara ou Zurão, com a ajuda dos cristãos, que se
tinham estabelecido no castelo de Linhares.
Rezam as crónicas que, até aos
começos do Séc. XIX, o Senado da cidade de Viseu, na 2ª oitava do Espírito
Santo de cada ano, trazendo o seu estandarte e acompanhado de muito povo e
alguns clérigos, vinha a Mangualde e, subindo ao lugar mais alto da
montanha, prestava homenagem a Linhares, inclinando o seu estandarte para
aquele castelo, em sinal de reconhecimento pelo auxilio prestado na tomada
da fortaleza de Azurara.
Os restos do castelo ainda tinham algum valor defensivo no vale do Mondego,
na linha de Trancoso a Celorico, nas guerras da reconquista cristã. Acabaram
por ser demolidos em 1828, para dar lugar a um santuário, com o nome de
Nossa Senhora do Castelo.
O Senhorio de Mangualde pertenceu à família Cabral depois que a Álvaro Gil
Cabral, avô de Pedro Álvares Cabral, foram dadas as terras de foro e
herdade, que a coroa ali possuía. Esta doação premiou a conduta de Álvaro
Gil Cabral, que se manteve fiel a D. João I, na crise da nacionalidade que
sucedeu à morte de D. Fernando. Este mesmo Álvaro Gil Cabral era genro de
Diogo Afonso de Figueiredo, a quem D. Fernando e D. Leonor Teles haviam
feito mercê, em 13-12-1379, da Quinta de Santo André, nos limites de Azurara
da Beira. Em carta régia de 1437, D. Duarte confinou a mercê daquela Quinta
a Fernão Cabral, pai daquele ousado navegador, que também foi alcaide-mor da
Vila.
A
vila, hoje cidade, nasceu à volta de dois primitivos bairros - o primeiro
genericamente designado por “Vila” ou “Cabo da Vila” era onde se desenrolava
toda a vida social e se encontravam todos os serviços e o pelourinho.
No século XVI foi aí construída uma torre, onde mais tarde se colocou o
mecanismo do relógio, passando a designar-se por “Torre do Relógio Velho”.
O outro bairro, o Rossio, foi desabitado até ao século XVII, começando por
essa altura a surgir as primeiras habitações.
No século XIX, a construção da estrada para a Guarda, levou ao
desenvolvimento do Rossio, passando os dois bairros a ficarem ligados, e
deslocando-se para aí o centro social e económico de Mangualde.
A 3ª invasão francesa, comandada por Massena, também passou por aqui, tendo
no entanto, causado poucos estragos devido à maioria da população se ter
refugiado para os lados de Penalva e ter ocultado ou enterrado os objectos
de valor.
O desenvolvimento e progresso de Mangualde deveu-se essencialmente à sua
localização geográfica e ao traçado de novas vias, viárias e ferroviárias.
Assim, aqui se fixaram, muitos
comerciantes de lanifícios da Covilhã, Gouveia, Seia, Manteigas e Loriga,
tornando-se assim num dos principais entrepostos comerciais de lanifícios do
País.
Outro aspecto importante e que muito pesou para o seu desenvolvimento, foi a
realização das sua feiras, principalmente do importante mercado anual que
tem lugar no 1º Domingo de Novembro e que se denomina por “Feira dos
Santos”.
Por aprovação da Lei 26/86 pelo Plenário da Assembleia da República e
publicação no Diário da República em 23 de Agosto, Mangualde foi elevada á
categoria de Cidade.
Pelo senso de 2001, a Freguesia de Mangualde tinha uma população de 8904
habitantes e 4318 alojamentos familiares.
A área total da Freguesia é de 34,9 Km2.
A sua situação é numa zona de planalto entre os vales do Dão (a norte) e do
Mondego (a sul), onde predomina a minifúndio, pelo que a sua Freguesia
produz vinho, azeite, fruta e cereais. Tem uma Cooperativa Agrícola que
pertence à Região Demarcada dos Vinhos do Dão.
Para além do Queijo da Serra, por região demarcada, a exploração florestal é
outra actividade importante da Freguesia, em virtude de uma considerável
área se encontrar coberta de pinhal.
A Indústria em Mangualde, está praticamente concentrada em dois sectores:
metalomecânica ligeira e confecções. Além de numerosas micro e pequenas
empresas, existem algumas unidades industriais de média dimensão (algumas
com mais de 100 operários), com destaque para a fábrica de montagem
automóveis Citröen que emprega cerca de 1.200 pessoas.
De referir, também, a importância que tem o sector dos transportes
rodoviários, nomeadamente a Patinter, que é uma das maiores transportadoras
nacionais.
Em termos comerciais predomina o comércio tradicional estando representados
todos os ramos de actividade do mesmo.
À freguesia da Sede do Concelho, pertencem as povoações de Almeidinha,
Ançada, Canedo do Chão, Canedo do Mato, Cubos, Darei, Oliveira, Passos,
Pinheiro de Baixo, Pinheiro de Cima, Quinta da Moita, Roda, Santo Amaro de Azurara,
Santo André, Santa Luzia e S. Cosmado. |